Cientistas na Argentina desenvolveram uma forma não invasiva de monitorar poluentes: pinguins-de-magalhães receberam pulseiras de amostrador passivo de silicone para captar substâncias químicas da água, do ar e de superfícies. O estudo ocorreu no litoral da Patagônia, durante três temporadas de reprodução, com 57 aves utilizadas.
Os dispositivos, adaptados para prender às pernas sem causar desconforto, coletaram amostras em 55 pinguins. Mais de 90% das anilhas apresentaram PFAS, substâncias industriais presentes em panelas, roupas, espuma de combate a incêndio e itens farmacêuticos.
Método e primeiras conclusões
A equipe avaliou a presença de PFAS, um grupo persistente de compostos difíceis de degradar. A concentração encontrada não foi elevada, mas permaneceu constante ao longo do tempo, indicando exposição contínua mesmo em área remota.
Segundo os pesquisadores, o monitoramento oceânico tradicional é caro e demorado, enquanto os pinguins percorrem grandes áreas, o que permite dados ambientais mais amplos de forma passiva. As pulseiras SPS foram ajustadas com fio de aço para não atrapalhar as aves.
Detalhes do experimento e perspectivas
Das 57 aves, apenas uma teve a anilha removida por possível desconforto. A análise ficou a cargo do laboratório da chemicalista Diana Aga, em Buffalo, usando espectrometria de massa. A combinação de PFAS tradicionais e substitutos foi priorizada por questões regulatórias e de toxicidade.
Especialistas externos destacam a abordagem como método complementar para entender a exposição aos contaminantes. A técnica permite investigar a relação entre PFAS no ambiente e o consumo de peixe pelas aves, sem sacrificar animais.
Realce regional e planos futuros
O estudo ocorreu em duas colônias da região de Chubut, na Argentina, fortalecendo a lacuna de pesquisas sobre PFAS na América do Sul. Pesquisadores pretendem aplicar a metodologia a outras espécies marinhas, como cormorões, e ampliar o monitoramento durante a migração para o Uruguai e o Brasil.
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