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Maioria acredita em pelo menos um dos 6 mitos de saúde, aponta pesquisa

Pesquisa global revela que setenta por cento acreditam em ao menos uma das seis declarações falsas sobre saúde, evidenciando desinformação disseminada

Nova pesquisa mostra que a desinformação em saúde é um problema que está disseminado
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Durante o Relatório Especial 2026 Edelman Trust Barometer sobre Confiança e Saúde, foram ouvidas mais de 16 mil pessoas em 16 países. A pesquisa mostra que 70% dos entrevistados acreditam em pelo menos uma de seis afirmações amplamente desmentidas sobre saúde.

Entre as crenças contestadas estão: proteína animal ser a opção mais saudável, fluoretação da água ser prejudicial ou inútil, vacinas infantis terem mais riscos que benefícios, leite cru ser mais saudável que o pasteurizado, uso de acetaminofeno na gravidez associar-se ao autismo e vacinas servirem para controle populacional.

O estudo revela ainda que o problema da desinformação não se restringe a determinadas regiões ou camadas da população. Entre pessoas com diploma universitário, 69% mantêm ao menos uma dessas crenças, índice muito próximo aos 70% entre quem não tem diploma. A desigualdade de crenças se estende a diferentes posições políticas e faixas etárias.

Desinformação a nível global

A pesquisa aponta variação maior entre países em desenvolvimento e desenvolvido, com o fenômeno presente em todos os grupos. Estados Unidos, frequentemente associado a debates sobre desinformação em saúde, não aparece entre os países com maiores níveis de crença nesses mitos.

A crise de confiança também se traduz em menor confiança nas instituições e na mídia. Dados indicam queda de 10 pontos percentuais na confiança pública para encontrar respostas confiáveis em saúde, atingindo 51% em 16 países analisados. A confiança na mídia permanece 11 pontos abaixo do nível pré-pandemia, em 46%.

A erosão de confiança acompanha a percepção de dificuldades para acessar atendimento de saúde. Em 2025, 35% dos americanos relataram dificuldades para obter cuidados de qualidade e acessíveis, segundo estudo West Health-Gallup. Em 2026, pesquisa da KFF mostrou que saúde é a maior preocupação de gastos domésticos.

IA, autogestão e o papel do profissional de saúde

Mais pessoas recorrem à inteligência artificial para temas de saúde, com 35% usando IA de alguma forma para gerenciar a saúde pessoal. Entre quem utiliza IA, muitos veem a IA capaz de tarefas médicas, como dar segunda opinião diagnóstica.

Apesar da mudança, médicos seguem como fonte de confiança em saúde. O relatório aponta que a relação entre pacientes e profissionais de saúde precisa evoluir, com ênfase em orientar em vez de ditar decisões.

Caminhos para o entendimento

Os pesquisadores destacam que o desafio não está apenas na quantidade de informação, mas na forma como as pessoas escolhem fontes confiáveis. A proposta é ampliar o diálogo entre pacientes e profissionais, buscando resultados em saúde e práticas mais colaborativas.

A equipe da Edelman ressalta que compreender quem compõe o público das crenças divisivas ajuda a planejar estratégias mais eficazes, com foco no acesso real à informação confiável e na participação da sociedade no ecossistema de saúde.

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