Tamara Klink revelou, no São Paulo Innovation Week, detalhes da expedição solo ao Ártico, onde passou o inverno numa embarcação presa ao gelo. A navegadora se tornou a primeira da América Latina a cruzar a Passagem do Noroeste, feito viabilizado pelo recuo do gelo devido ao aquecimento global.
O painel Bom Dia, Inverno, realizado no Pacaembu e na FAAP, encerrou com aplausos para quem enfrentou frio e perigos e, ao mesmo tempo, reforçou o alerta sobre o derretimento das geleiras. O evento é promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
Klink apresentou a viagem realizada entre 2023 e 2024, com dois anos de preparação, inclusive aprendizados básicos de sobrevivência e contato com comunidades de caçadores locais. Ela disse ter observado mudanças no gelo que tornaram possível a travessia antes improvável.
Debates sobre IA e clima
Mediado por Samara Castro, o painel discutiu o uso da inteligência artificial, destacando o consumo de água e energia de data centers e o equilíbrio entre aplicações médicas, automação e proteção de direitos autorais. A discussão também ponderou impactos positivos e negativos da IA.
A navegadora comparou o aquecimento global à pandemia, defendendo ações rápidas para reduzir emissões de CO2 e um uso mais moderado de tecnologia. Ela aponta que mudanças no Ártico podem alterar correntes oceânicas e influenciar o clima global.
Klink ressaltou que uma região do Ártico, antes considerada gelo eterno, vem desaparecendo, o que facilitou a travessia. Ela reforçou a necessidade de medidas abrangentes para evitar impactos climáticos maiores e destacou a relação entre gelo marinho, energia e vida no ecossistema polar.
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