Moléculas do esmalte dos dentes de Homo erectus foram analisadas por uma equipe chinesa, liderada pela paleontóloga Qiaomei Fu. O estudo sugere que traços genéticos da espécie antiga podem ter chegado aos humanos modernos por meio de processos de miscigenação.
Os dentes analisados têm cerca de 400 mil anos. Eles foram coletados em três sítios da China: Zhoukoudian, Hexian e Sunjiadong. A pesquisa empregou técnicas minimamente invasivas para extrair peptídeos do esmalte e evitar contaminações modernas.
Os pesquisadores identificaram sequências de aminoácidos inéditos, chamadas SAP, presentes apenas no H. erectus. Em especial, uma variação associada à ameloblastina (AMBN(A253G)) não aparece em outros primatas, mas aparece nos seis H. erectus estudados.
Repercussões e contexto
A variante AMBN(A253G) sugere traços genéticos exclusivos da espécie extinta. Em paralelo, outra variante também aparece nos denisovanos, com presença em populações atuais de filipinos, indianos e papuanos, entre 20% e 1%.
A hipótese levantada é que os denisovanos teriam herdado essa característica de H. erectus por meio de miscigenação e, posteriormente, transmitido aos Homo sapiens via contato entre espécies. O estudo aponta que o genoma denisovano pode carregar trechos de DNA super-arcaicos.
Os resultados, ainda parciais, fortalecem a ideia de que a mistura entre espécies ocorreu com maior frequência ao longo da evolução humana. A confirmação depende de pesquisas adicionais e da reinterpretação de dados fósseis e genéticos.
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