A Vale participou do São Paulo Innovation Week com o tema da base mineral da inovação. O vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar, e o diretor do MIT Industrial Liaison Program, Yuri Ramos, apresentaram a relação entre minerais, tecnologia e o futuro da mineração espacial. A palestra teve foco em como substâncias como aço, cobre, ferro e lítio sustentam dispositivos modernos e avanços como IA.
Segundo Bittar, a inovação depende diretamente de minerais estratégicos, que dão suporte a smartphones, computadores e sistemas de IA. O executivo destacou que a demanda global deverá crescer nos próximos 25 anos, impondo uso de grandes quantidades de cobre e outros metais para a transição energética.
Ramos, do MIT, reforçou a necessidade de descarbonizar a economia para evitar impactos na tecnologia. Para ele, inteligência artificial, ciências da vida e descarbonização são temas centrais na pesquisa universitária hoje. A parceria entre tecnologia e mineração é apresentada como crucial para o desenvolvimento.
A relação entre mineração e IA ficou evidente na prática da Vale. A empresa utiliza modelos de linguagem para vasculhar documentos de jazidas brasileiras, acelerando a identificação de depósitos potenciais. O objetivo é otimizar etapas desde a descoberta até a operação.
Bittar destacou a vantagem brasileira na cadeia de elementos químicos: disponibilidade de materiais na tabela periódica e quantidade suficiente de recursos. Ramos comentou que as matrizes energéticas do Brasil despertam interesse de parceiros estrangeiros pela diversidade de minerais.
Mineração espacial e o futuro
O tema sobre mineração fora da Terra ganhou destaque na palestra, com foco em hélio-3, cobalto, manganês e alumínio presentes no espaço e na Lua. O elemento hélio-3, visto como potencial combustível de fusão limpa, é citado como exemplo de alto valor agregado.
Bittar, em entrevista ao TecMundo, afirmou que a Vale recebeu convites para integrar consórcios aeroespaciais, mas prefere priorizar o que já está em operação. A empresa quer acompanhar o ritmo global de desenvolvimentos sem se comprometer hoje com extração espacial.
Mesmo com planos de bases lunares entre EUA e China, o executivo mantém o tom cauteloso: não há evidências de que a mineração espacial disputará com a mineração tradicional a curto prazo. Ainda assim, a tendência demanda acompanhamento constante.
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