O estudo analisa como a fala cotidiana pode sinalizar o risco de declínio cognitivo. Pesquisadores examinaram hesitações, pausas e palavras de preenchimento como indicativos de função cerebral. O trabalho foi publicado em 2025 no Journal of Speech, Language, and Hearing Research, com Hsi T. Wei como autora principal, em colaboração com Baycrest, Universidade de Toronto e Universidade de York.
Participantes descreveram imagens enquanto a fala era gravada e passaram por testes cognitivos padronizados. Em seguida, inteligência artificial analisou as gravações em profundidade, buscando microcaracterísticas da fala para prever desempenho cognitivo.
Padrões observados incluíram pausas mais longas, uso frequente de hesitações e ritmo menos fluido. Também houve dificuldade para encontrar termos específicos. Os sinais refletiram maior esforço do cérebro no processamento de pensamentos para transformá-los em linguagem.
A IA identificou centenas de marcadores, como duração das pausas, frequência de hesitações, ritmo e padrões temporais da linguagem. Esses indicadores mostraram relação estatística com o desempenho cognitivo, mesmo após ajustar por idade, sexo e escolaridade.
O estudo reforça a ideia de que a fala espontânea pode refletir o funcionamento cerebral no cotidiano, oferecendo caminho para detecção precoce de alterações cognitivas. A abordagem pode complementar testes tradicionais, que demandam tempo e ambiente controlado.
Potencialmente, a análise da fala permite monitoramento contínuo e em larga escala da saúde cognitiva. A combinação com outros marcadores clínicos pode aumentar a precisão na identificação de mudanças cerebrais iniciais, facilitando intervenções precoces.
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