A poluição do ar pode comprometer a função cerebral, aponta estudo publicado na revista Stroke. Pesquisadores da Universidade McMaster acompanharam quase 7 mil adultos de meia-idade para avaliar impactos cognitivos causados pela exposição a poluentes ambientes. O estudo analisa dois poluentes comuns: PM2,5 e NO₂.
Os resultados mostram relação consistente entre poluição do ar e pior desempenho em testes de memória, linguagem e processamento mental. Mesmo em regiões com qualidade de ar relativamente boa, maiores exposições estiveram associadas a redução cognitiva.
As PM2,5 são partículas finas que penetram o sistema respiratório e chegam à corrente sanguínea, podendo afetar o cérebro. No estudo, maiores níveis de poluição destacaram alterações nas funções cognitivas dos participantes.
Outra variável relevante foi o NO₂, principalmente emitido por veículos e combustíveis fósseis. A exposição prolongada a esse gás também correlacionou-se com menor desempenho cognitivo e com sinais de lesões cerebrais em exames de imagem.
Os pesquisadores ajustaram fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e obesidade, mantendo a associação entre poluição e função cerebral. Isso indica efeito direto da poluição sobre o sistema nervoso.
Observação destacada: mulheres apresentaram maior intensidade das alterações cerebrais ligadas à poluição, ainda sem definição de mecanismos. Os autores ressaltam a necessidade de mais estudos para entender o papel de gênero.
O trabalho foi realizado no Canadá, região com qualidade de ar considerada boa em comparação mundial. Os resultados sugerem que até níveis baixos de poluentes podem influenciar a cognição ao longo do tempo.
Autoridades de saúde pública costumam enfatizar benefícios de reduzir a poluição para condições respiratórias e cardiovasculares. Este estudo acrescenta evidências sobre cuidado com a saúde cerebral e envelhecimento.
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