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Carne vermelha moldou evolução humana, com vantagens e riscos à saúde

Estudo associa consumo frequente de carne vermelha a riscos de doenças, enquanto evolução humana sugere dieta flexível com impactos à saúde e ao ambiente

Que tal investir em uma dieta diversificada e reduzir o churrasco por aí? — Foto: Chí Thanh Do / Pexels
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O estudo publicado na The Quarterly Review of Biology aponta que o consumo frequente de carne vermelha e de carnes processadas pode aumentar o risco de doenças. A pesquisa avaliou cerca de 3 milhões de anos da relação entre hominídeos e dieta animal, com evidências arqueológicas e moleculares.

Autores destacam que os primeiros hominídeos já consumiam carne como complemento à dieta vegetal, muito antes do gênero Homo. A carne servia como estratégia alimentar ampla, não como refeição principal, para sustentar sobrevivência e desenvolvimento cerebral.

Ao contrário da ideia de caçadores que buscavam grandes bifes, os pesquisadores sugerem valorização de partes mais calóricas, como medula, órgãos e tecidos ricos em lipídios, essenciais para o cérebro infantil. A proteína, por si só, não explicaria a expansão cerebral.

Mudança de dieta e impactos

A pesquisa indica que a relação com carne mudou com a expansão da agricultura, entre 10 mil e 12 mil anos atrás, quando a diversidade alimentar diminuiu. Dietas baseadas em cereais contribuíram para deficiência de ferro em algumas sociedades.

A produção industrial de alimentos elevou a disponibilidade de carne vermelha, consolidando seu papel nas refeições. Hoje, a indústria global movimenta cerca de US$ 1,3 trilhão e cresce especialmente em países de baixa e média renda.

Estudos epidemiológicos associam consumo frequente de carne vermelha e processada a maiores riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal. A IARC classifica carnes processadas como carcinogênicas Grupo 1; carnes vermelhas, Grupo 2A.

Perspectivas de saúde e ambiente

O estudo ressalta uma molécula chamada Neu5Gc, presente em carnes vermelhas atuais, mesmo após a perda humana de sua produção. Sua ingestão pode promover inflamação crônica e aumentar riscos de aterosclerose, câncer colorretal e declínio cognitivo.

A indústria pecuária é apontada como responsável por cerca de 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, além de desmatamento, uso de água e resistência a antibióticos. Os autores enfatizam que não há recomendação de eliminação total da carne.

Conclui que entender a história evolutiva da alimentação ajuda a explicar por que um alimento essencial no passado pode ter impactos negativos quando consumido em excesso hoje. A análise não substitui orientações médicas, apenas contextualiza padrões atuais.

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