O surto da cepa Andes do hantavírus atingiu passageiros do cruzeiro MV Hondius em abril. Três passageiros morreram entre oito casos confirmados, com dois considerados possíveis. O navio encerrou quase 50 dias de viagem ao chegar a Roterdã, em 18 de maio, vindo de uma passagem pelas Ilhas Canárias.
O episódio teve cerca de 150 pessoas a bordo, de 23 países. A OMS informou que o primeiro registro da doença ocorreu em 2 de maio, durante a estadia do navio no Mediterrâneo, com monitoramento de contatos e medidas sanitárias.
Para o infectologista francês Jean Paul Stahl, membro da SPIL, a resposta inicial foi precipitada. Ele afirma que o hantavírus Andes é conhecido há décadas e que a transmissão requer a presença de sintomas, não ocorrendo transmissão generalizada sem adoecimento.
Contexto epidemiológico
O período de incubação é estimado em até seis semanas, o que justificou medidas de contenção adotadas pelo governo francês. Contudo, o especialista avalia que tais decisões tiveram caráter político e não científico, ressaltando que o risco à população em geral é limitado.
O Instituto Pasteur apontou que não houve mutação relevante do vírus. A taxa de transmissão é baixa, em torno de 0,5%, dependendo das condições. A letalidade média oscila em torno de 40%, variando com a qualidade do atendimento.
Paralelamente, o Pasteur informou que não existe tratamento específico universal; terapias como ribavirina mostram eficácia apenas em subtipos do hantavírus. Em alguns casos, o uso de plasma com anticorpos mostrou potencial benefício, ainda em estudo.
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