A Anvisa aprovou o medicamento Lecanemabe, um anticorpo intravenoso para Alzheimer, indicado para os estágios iniciais da doença. O produto, comercializado como Leqembi, deve chegar às farmácias no fim de junho. A decisão cria esperança, mas levanta dúvidas sobre custo e implementação.
Segundo especialistas, o Lecanemabe atua reduzindo a beta-amiloide, proteína associada ao acúmulo no cérebro. Pesquisas publicadas no New England Journal of Medicine indicaram melhoria em avaliações cognitivas ao longo de 18 meses, quando comparado a placebo, embora a diferença entre grupos tenha sido pequena.
Apesar da redução da amiloide, a interpretação clínica é complexa. A possibilidade de efeitos adversos inclui inchaço e sangramentos no cérebro, com incidência relatada em parte dos estudos. As autoridades destacam a necessidade de vigilância e de avaliação cuidadosa de benefício versus risco.
Acesso ao tratamento é o principal desafio no Brasil. O custo ficou estimado em cerca de R$ 20 mil por mês, valor que dificulta inclusão no SUS ou em planos de saúde, segundo o médico envolvido no assunto. A viabilidade dependerá de evidências adicionais de benefício clínico.
O uso seguro exige estrutura médica especializada. Antes da infusão, pacientes passam por PET-CT, ressonância magnética, testes de biomarcadores e avaliações genéticas. Também é necessário acompanhamento contínuo em centros com recursos adequados.
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