A China aprovou o uso comercial de um implante cerebral desenvolvido por uma empresa local, tornando-se o primeiro país a autorizar esse tipo de dispositivo para venda. O equipamento, voltado a pacientes com paralisia causada por lesões graves na medula cervical, conecta o sistema nervoso a uma luva robótica para recuperar parte dos movimentos das mãos. A autorização foi concedida pelos reguladores chineses, que afirmaram que o dispositivo poderá ser comercializado em breve.
O sistema da Neuracle Medical Technology capta sinais neurais e os interpreta para acionar a luva robótica. Com isso, o paciente pode abrir e fechar a mão e manipular objetos de forma parcial. A tecnologia utiliza um chip implantado na membrana que envolve o cérebro, reduzindo o risco cirúrgico em comparação a abordagens mais invasivas.
Avanços e requisitos
A tecnologia incorpora IA para melhorar a decodificação dos sinais cerebrais. A empresa aponta que modelos de IA aumentam a precisão na leitura da intenção de movimento. O uso exige que o candidato tenha entre 18 e 60 anos, conviva com a paralisia por mais de um ano e comprove estabilidade por pelo menos seis meses.
Além disso, é necessário apresentar ao menos algum movimento na parte superior dos braços, ainda que não haja capacidade de segurar objetos. Os primeiros dispositivos devem começar a ser vendidos em breve.
Panorama de mercado
Entretanto, a China não atua sozinha no campo. Startups como a NeuroXess avançam com chips cerebrais que permitem controlar eletrodomésticos por pensamento. Outros projetos envolvem IA capaz de decodificar o mandarim em tempo real, com aplicação prevista na recuperação da fala.
Além disso, a Maschine Robot desenvolve uma cadeira de rodas controlada pelo pensamento para pessoas com ELA, com estreia prevista para junho. O sistema combina captação de atividade cerebral e rastreamento ocular para indicar direção.
Contexto internacional
A regulamentação chinesa coloca o país na dianteira em termos de aprovação comercial de BCIs. Empresas internacionais e nacionais disputam mercado, com foco em ampliar aplicações clínicas e a autonomia de pacientes com paralisias severas. A competição envolve avanços em hardware, IA e interfaces usuário-dispositivo.
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