Nas capitais do país, engenheiros e construtoras iniciam testes com o que chamam de cimento vivo, um concreto que pode reparar fissuras automaticamente. A novidade promete reduzir custos de manutenção e aumentar a segurança de obras públicas e privadas.
O cimento vivo funciona por meio de bactérias adormecidas, encapsuladas no material. Quando a água infiltra por fissuras, as bactérias são ativadas e geram carbonato de cálcio, selando o dano por meio de biomineralização. Pequenas rachaduras chegam a cicatrizar sozinhas.
Essa abordagem combina esporos de Bacillus com nutrientes minerais, distribuídos pelo concreto. O resultado é um preenchimento interno que endurece as fraturas, reduzindo a passagem de água e a atuação de agentes corrosivos nas armaduras.
A ideia teve origem na Europa, com estudos na Holanda e no Reino Unido durante os anos 2000. Pesquisas subsequentes buscaram viabilizar receitas que conciliem resistência, ambiente adequado para as bactérias e custo compatível com a construção.
Os testes atuais avaliam a capacidade de fechamento de fissuras, a velocidade do processo e a resistência após a cicatrização. Em laboratório, amostras são submetidas a ciclos de umidade, temperatura e cargas mecânicas simuladas.
Limitações apontadas incluem o custo inicial maior, restrições ao fechamento de fissuras maiores e dúvidas sobre a durabilidade das bactérias em ambientes agressivos. Pesquisas buscam reduzir o atraso entre custo e benefício ao longo do tempo.
Especialistas ressaltam que, se aplicado com critério, o cimento vivo pode estender a vida útil de estruturas e diminuir intervenções de manutenção. Em obras públicas, o potencial envolve menos infiltração, menor corrosão e planejamento mais estável.
Entre na conversa da comunidade