Desde 1950, houve cinco episódios de El Niño classificados como muito fortes. O intervalo entre eles já chegou a 18 anos, mas pode cair para menos de cinco se o evento previsto para este ano atingir alta intensidade. A tendência preocupa pelo possível encurtamento de períodos entre eventos extremos.
A divergência entre definidores do termo “super El Niño” não muda apenas o rótulo. Enquanto alguns situam o pico de 2015-2016 como o mais intenso já registrado, outros incluem 2023-2024, que ficou próximo do limite para a classificação.
Para 2015-2016, o aquecimento chegou a 2,6 °C acima da média, o maior registrado por instrumentos modernos. Já em 2023-2024, as temperaturas ficaram em torno de 2 °C acima da média no auge, aproximando-se do limiar de “super El Niño”.
Essa discussão de definição ajuda a entender um padrão observado na literatura: os intervalos entre os El Niños mais intensos vêm diminuindo. A NOAA estima 96% de probabilidade de um episódio forte ou muito forte até o fim de 2026, entre dezembro e fevereiro de 2027.
Ao analisarem a série histórica, pesquisadores identificam uma possível aceleração no intervalo entre eventos extremos: 1972-1982 (10 anos), 1982-1997 (15 anos), 1997-2015 (18 anos), 2015-2023 (8 anos). Se 2026-2027 confirmar-se muito forte, o intervalo seria de 3 anos.
Os modelos atuais indicam incerteza. Em abril, 25% de chance de ultrapassar 2 °C; em maio, 37%. Mesmo assim, nenhuma categoria supera 37% de probabilidade, mantendo o cenário sem domínio claro de intensidade.
A NOAA aponta que episódios mais intensos costumam ter forte acoplamento oceano-atmosfera no verão do Hemisfério Norte, reação que ainda não foi observada em 2026. A confirmação depende da chamada barreira de previsibilidade, que tende a perder força em junho.
Para o Brasil, o Cemaden informa que um El Niño mais intenso pode elevar riscos de seca no Norte e no Nordeste, com temperaturas mais altas. No Sul, o quadro aponta para chuvas mais intensas e persistentes, principalmente entre primavera e verão.
O órgão sinaliza que o Rio Grande do Sul pode apresentar aumento significativo do risco hidrológico, incluindo enchentes e deslizamentos. Santa Catarina e Paraná também apresentam maior probabilidade de eventos extremos, com variação regional.
Por fim, especialistas ressaltam que a análise não é uma previsão determinística. O objetivo é orientar monitoramento, preparo e planejamento ante um cenário climático ainda incerto e sujeito a mudanças.
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