O estudo confirmou a origem meteórica de uma cratera de 21 quilômetros de diâmetro em São Miguel do Tapuio, no norte do Piauí. O impacto ocorreu na região da Caatinga, elevando o Piauí a destaque global entre crateras de impacto.
Cientistas brasileiros associaram a formação à presença de cicatrizes microscópicas em grãos de quartzo, evidência direta das pressões extremas provocadas pelo choque. A região abriga a segunda maior cratera da América do Sul e a 37ª do mundo.
A pesquisa envolveu o professor emérito da Unicamp Alvaro Crósta e o grupo da UFBA liderado por Marcos Vasconcelos. Após décadas de tentativas, a expedição de 2017 aproximou-se do centro da cratera, onde coletou amostras de arenito para análise.
Metodologia e resultados
Entre 50 amostras, as duas últimas, próximas ao centro, apresentaram deformações por choque em grãos de quartzo, marca registrada de altas pressões. Os resultados indicam que apenas processos geológicos extremos poderiam gerar tais evidências.
As amostras foram transformadas em lâminas para estudo em Viena, na Áustria, onde a confirmação foi obtida. O estudo foi publicado pela The Meteoritical Society e será apresentado em agosto, no congresso da entidade, em Frankfurt.
O meteoro tinha cerca de 2,2 quilômetros de diâmetro e velocidades estimadas em 60 mil quilômetros por hora, o que explica a pulverização e sublimação de parte do material. A datação sugere idade entre 159 e 267 milhões de anos.
Contexto e próximos passos
Apesar da erosão, a forma circular com anéis internos e centro elevado continua perceptível entre as estruturas remanescentes. Crósta ressalta que o Brasil tem agora mais uma peça para compreender a evolução da superfície terrestre.
A cratera piaú foi a nona a ser confirmada no país, com participação de Crósta. A maior da América do Sul é o Domo do Araguainha, entre Mato Grosso e Goiás, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.
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