A rastreabilidade e a certificação da cadeia bovina ganham importância para o consumidor entender o modelo de produção do alimento. A explicação é de Rosana Maneschy, professora da UFPA e pesquisadora da USP, em parceria com a Cátedra Josué de Castro.
Segundo Rosana, a pecuária envolve três fases: cria, recria e engorda. Na cria, há nascimento e desmame aos seis ou oito meses, com peso entre 160 kg e 200 kg. Na Amazônia, a participação de agricultores familiares é relevante, com menor ganho de peso.
Na fase de recria, os animais continuam a crescer até cerca de 24 meses, pesando entre 300 kg e 380 kg. A engorda dura de três a seis meses, levando ao peso de abate entre 480 kg e 550 kg. Esse ciclo influencia o tempo até o abate e o desempenho.
Desafios para rastreabilidade e certificação
A pesquisadora aponta a fragmentação da cadeia como obstáculo, pois o mesmo animal pode passar por várias propriedades, dificultando o rastreamento contínuo. A implementação do PNIB, que exige identificação individual até 2032, também avança de forma gradual.
No Pará, o SRBIPA tem ganhado ritmo, com previsão de ampliar a identificação individual obrigatória nos próximos anos. Custos, tecnologia e capacitação aparecem como entraves, especialmente para pequenos produtores.
O que tem sido feito para superar desafios
Rosana destaca que o PNIB representa uma mudança estrutural ao padronizar a identificação no Brasil. O Pará, com o SRBIPA, já constrói uma base consistente de rastreabilidade. O “boi China” estimula genética, manejo e gestão da cadeia produtiva.
Modelos como o da Rio Capim Agrossilvipastoril demonstram integração entre produtores, inclusive da agricultura familiar, com assistência técnica, controle de origem e melhoria de desempenho. A integração de dados sanitários, ambientais e produtivos aumenta a transparência.
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