A USP (Universidade de São Paulo) identificou uma nova variante genética associada a uma doença neurológica rara em crianças, chamada CONDSIAS. O estudo, publicado na revista Neurology Genetics com apoio da Fapesp, descreve a relação entre a alteração e a condição pela primeira vez na América do Sul.
COND SIAS, sigla para neurodegeneração infantil induzida por estresse com ataxia e convulsões, apresenta epilepsia, atraso no desenvolvimento e coordenação motora prejudicada. A síndrome piora após infecções virais como gripe, herpes e Covid, quando o estresse fisiológico eleva a resposta imune.
O caso avaliado envolve uma menina de 11 anos que possuía duas variantes do gene ADPRS, no cromossomo 1. Uma dessas variantes já era associada à doença, enquanto a outra era inédita e cujo impacto clínico era desconhecido. O desafio foi estabelecer a relação entre as variantes e a síndrome.
A pesquisa aponta que a proteína ARH3 funciona como um “apagador molecular”, removendo a ADP-ribosilação que sinaliza danos celulares. Sem ARH3, esse sinal permanece, podendo comprometer principalmente neurônios, que são sensíveis a desequilíbrios moleculares.
Descoberta e implicações
Os cientistas destacam o avanço tecnológico no sequenciamento genético como facilitador do diagnóstico molecular, antes restrito a descrições clínicas. A partir do mecanismo da doença, o estudo busca estratégias terapêuticas futuras.
Embora não haja tratamento específico para CONDSIAS, a equipe investiga caminhos terapêuticos com foco na redução da ADP-ribosilação desde o início. Uma possível estratégia envolve o uso de um antibiótico que iniba a atividade da PARP, enzima que inicia esse processo, embora ainda esteja em estágio inicial.
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