Um telescópio enterrado no gelo do Polo Sul opera como observatório de partículas. O IceCube, com 5.160 sensores, registra neutrinos que atravessam a Terra quase sem interação, a partir de poços de até 2.450 metros de profundidade.
Instalado próximo à estação Amundsen-Scott, o IceCube utiliza o gelo como detector natural. Em vez de espelhos, milhares de módulos ópticos captam a radiação Cherenkov gerada pela passagem de neutrinos.
Neutrinos são partículas extremely leves e sem carga. Eles viajam sem deixar sinais perceptíveis até colidirem com o gelo, gerando flashes de luz que os sensores registram para estudar eventos cósmicos como buracos negros e supernovas.
Detalhes técnicos
A estrutura funciona com uma malha tridimensional de gelo. Do total de sensores, 5.160 módulos ópticos registram flashes de luz, distribuídos entre 1.450 m e 2.450 m de profundidade.
O observatório usa cerca de 1 quilômetro cúbico de gelo como volume de detecção, com 86 cabos verticais que mantêm a distribuição dos módulos.
Expansão Gen2
Em 2026, o IceCube passou por melhorias com novos cabos, sensores e calibração no núcleo. A próxima fase, o IceCube-Gen2, prevê um detector com até 8 quilômetros cúbicos de gelo.
A nova versão também ampliará a sensibilidade óptica e por rádio, aumentando a precisão para localizar fontes cósmicas distantes. A atualização visa capturar mais neutrinos de alta energia.
O que já foi descoberto
Desde a ativação, neutrinos de alta energia foram confirmados e ligados a eventos cósmicos, incluindo um neutrino na casa do petaeletronvolt. O detector também identificou sinais associados a um blazar a bilhões de anos-luz de distância.
Análises indicam cerca de 100 mil neutrinos detectados por ano, com filtros que distinguem sinais de origem cósmica dos ruídos atmosféricos. Estudá-los ajuda a entender fenômenos extremos do universo.
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