O Brasil deve enfrentar queda no tabagismo, mas aumento no consumo de álcool e de ultraprocessados até 2030, aponta estudo da Unifesp que será publicado na The Lancet Regional Health Americas. A pesquisa analisa dados do Vigitel entre 2009 e 2023 e projeta cenários para 2030.
Segundo os pesquisadores, quase um terço da população terá obesidade em quatro anos. Diabete e hipertensão também devem crescer, impactando o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). O consumo de álcool abusivo subiria de 18,8% para 21,3%, com maior alta entre mulheres.
Em 2030, a obesidade pode alcançar 31% da população das capitais, ante 20,3% em 2019. A diabetes aumentaria quase 50% no mesmo período. O estudo ressalta que o efeito da obesidade está ligado ao consumo de ultraprocessados, ainda sem metas específicas no plano federal.
Desempenho de doenças e fatores de risco
Doenças como diabetes, cardiovasculares, cânceres e doenças respiratórias continuam entre as principais causas de morte no Brasil, com mais de 54% dos óbitos anuais. Má qualidade de vida e gastos com tratamento acompanham esse cenário, segundo a autora principal.
A pesquisa aponta que o tabagismo tende a diminuir até 2030, extrapolando a tendência de anos anteriores. A taxa esperada é de cerca de 4,7% da população fumante, reflexo de políticas públicas consistentes ao longo das últimas décadas.
Alimentação, ultraprocessados e políticas públicas
Apesar do guia alimentar vigorar internacionalmente, políticas para reduzir ultraprocessados não avançaram como o desejado. A tributação sobre esses produtos ficou restrita a refrigerantes, com alíquota considerada insuficiente para impactar o consumo.
O consumo de refrigerantes e sucos artificiais deve cair para 3,2% entre 2023 e 2030, frente a uma meta de 10,5%. O estudo ressalta a relação entre ultraprocessados e obesidade, destacando a necessidade de ações integradas.
Álcool, gênero e respostas institucionais
O avanço do consumo abusivo de álcool ocorre principalmente entre mulheres. Entre 2009 e 2023, houve alta de 51% nesse grupo. A indústria é citada pelos pesquisadores como influente na expansão de mercado entre as mulheres.
O Ministério da Saúde acompanha o tema e destacou políticas reconhecidas pela OMS, como proibição de propaganda e ambientes livres de fumaça. Em 2024, houve aumento da prevalência de tabagismo pela primeira vez na série do Vigitel.
Ações e perspectivas
A nível federal, o governo tem programas como Viva Mais Brasil e Academia da Saúde para incentivar atividade física, com investimentos estimados em centenas de milhões de reais. As projeções, porém, dependem de novas medidas de suporte.
Os autores enfatizam que as projeções não são inevitáveis e podem ser alteradas por intervenções. A pesquisa utiliza dados de 643 mil adultos nas 26 capitais e no Distrito Federal para avaliar o caminho rumo às metas.
Entre na conversa da comunidade