A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas) é um ponto fraco do campo magnético da Terra, apontado como uma área de menor intensidade que se estende entre a África e a América do Sul. Ela passa pelo Brasil, representando o trecho mais vulnerável do campo geomagnético.
Segundo estudo publicado no início de maio na PNAS, fenômenos com padrões semelhantes à Amas ocorrem há pelo menos dois mil anos. A pesquisa analisou materiais arqueológicos de artefatos de argila no noroeste da Argentina, próximo à região afetada pela anomalia.
A equipe liderada por cientistas espanhóis utilizou arqueomagnetismo para reconstruir mudanças do campo magnético com base em objetos aquecidos, que após resfriamento retêm assinaturas magnéticas. Ao todo foram 41 medições de artefatos argentinos.
Contexto histórico
Os resultados sugerem que a atual anomalia teria se originado no Oceano Índico por volta do ano 1000, deslocando-se para o oeste ao longo de milênios. O trajeto inclui passagem sobre o continente africano e a América, até a configuração observada hoje.
O estudo indica que não houve exclusividade da Amas: outra anomalia magnética teria seguido caminho similar no período entre 1 e 850 d.C. Essa recorrência aponta para um processo geofísico de longa duração.
Metodologia e dados
A pesquisa usa dados arqueomagnéticos, que fornecem resolução temporal alta, mas abrangência histórica limitada a milênios. Os autores combinam informações com o que já se sabe de variações no campo terrestre ao longo de milênios.
Pesquisadores ressaltam que a Amas está ligada à interação entre manto e núcleo externo, camadas que podem influenciar tensões no campo magnético. A hipótese envolve também grandes regiões de baixa velocidade de cisalhamento no interior da Terra.
Implicações e desdobramentos
A descoberta reforça a ideia de que mudanças magnéticas com padrões semelhantes à Amas ocorrem com regularidade em escalas temporais geológicas. Entender esse mecanismo pode esclarecer como o campo magnético da Terra se reorganiza ao longo de milênios.
Pesquisas anteriores já tinham explorado a origem da Amas. Em 2024, rochas na Ilha de Trindade foram usadas para mostrar que anomalias magnéticas existem na Terra há pelo menos 10 milhões de anos, com métodos diferentes daquele usado neste estudo.
Considerações finais
Os pesquisadores destacam a necessidade de mais estudos para entender as causas precisas da Amas. A interação entre manto e núcleo externo continua sendo uma linha de investigação relevante para explicar a recorrência de anomalias magnéticas na região sul do globo.
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