Globais, cerca de metade da água potável e um quarto da água para irrigação vêm de aquíferos subterrâneos. Contudo, diversas zonas costeiras enfrentam quedas significativas nos níveis de água, elevando o risco de intrusão de salinas, aponta estudo recente.
O estudo, publicado em Nature Water em 14 de abril, avaliou cerca de 480 mil pontos costeiros entre 1990 e 2024. Mais de 10% apresentaram declínio relevante ao longo de anos, sinalizando vulnerabilidade à intrusão salina.
A pesquisa envolveu observações de várias fontes, com ênfase em instituições do Global North, como a Agência Europeia do Meio Ambiente e o Centro Internacional de Avaliação de Recursos Hídricos Subterrâneos, ligada às Nações Unidas. Limitação: menos dados no Global Sul.
A análise utilizou poços rasos (até 100 m de profundidade) em até 100 km da costa. Em janelas de até 9-19 anos, 24% das localidades mostraram mudanças significativas, sendo 54% desse conjunto em queda de nível freático.
Declínio nos aquíferos costuma ocorrer pela sobreexploração de poços e recarga reduzida em climas mais secos, agravada pela variabilidade de chuvas e degelo. Níveis baixos favorecem a intrusão de salinidade.
A elevação do nível do mar, decorrente das mudanças climáticas, também altera o gradiente entre terra e mar, aumentando o risco em diversas regiões. O recuo ou avanço dessa intrusão varia conforme o local.
Entre os locais mais vulneráveis, a pesquisadora líder destacou a costa Kerala-Karnataka, na Índia, áreas ao redor de Perth e Melbourne, na Austrália, trechos do Algarve, Murcia-Alicante e Bordeaux, na Europa, além de cidades como Los Angeles, San Francisco, Houston e o sudeste da Flórida, nos EUA.
Apesar dos padrões de queda, a pesquisa aponta que quase tantas localidades apresentaram elevação dos níveis de água subterrânea. O aumento pode acompanhar o avanço do nível do mar, elevando também o risco de alagamento subterrâneo.
Especialistas externos destacam que o estudo se apoia em medidas reais de nível de água, ao contrário de modelos globais. Limites incluem não considerar intrusão causada por ressacas, inundações costeiras ou extração de água, mas o trabalho avança na caracterização da vulnerabilidade a partir de dados observados.
O estudo reforça a necessidade de monitoramento local detalhado e de avaliações hidrológicas com dados de profundidade e salinidade para confirmar suscetibilidade em pontos específicos.
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