O relatório conjunto da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do Met Office do Reino Unido aponta que as temperaturas médias globais devem se manter em patamares próximos dos recordes nos próximos cinco anos. A divulgação ocorreu na quinta-feira, em Genebra, com dados globais.
Segundo o document, as temperaturas anuais médias acima da superfície devem variar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis de 1850-1900. O Ártico deve aquecer mais rápido que outras regiões, intensificando eventos climáticos extremos.
Não é incomum, na leitura da imprensa, a referência ao Acordo de Paris de 2015, que visa manter o aumento abaixo de 1,5°C. O relatório indica que, entre 2026 e 2030, é provável ultrapassar temporariamente esse teto em pelo menos um ano.
Além disso, projeta-se que haverá ao menos um ano entre 2026 e 2030 em que as temperaturas globais excedam o recorde de 2024, quando houve ultrapassagem de 1,5°C. A condição não significa fracasso do acordo, pois a meta é média de 20 anos.
Impactos no Ártico
As previsões apontam aquecimento ártico mais intenso nos próximos cinco anos, com o inverno norteando cerca de 2,8°C acima da base de 1991-2020. Gelo marinho deve recuar, especialmente no Barents, Bering e Okhotsk.
Aquecimento no Ártico pode alterar padrões climáticos e elevar a severidade de eventos no norte global, conforme a cientista Melissa Seabrook, do Met Office. O relatório também indica maiores regimes de umidade no hemisfério norte.
El Niño e cenários futuros
Ainda segundo o relatório, o El Niño deve se fortalecer neste ano e pode persistir até 2027, impulsionando temperaturas globais a níveis recordes temporários devido ao aquecimento do Pacífico. O fenômeno costuma elevar médias globais por meses.
Como consequência, a probabilidade de extremos climáticos aumenta, com impactos potenciais em padrões de chuva, secas e eventos de maior intensidade em várias regiões do planeta. A tendência reforça a urgência de ações climáticas.
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