O que aconteceu envolve fragmentos de pepino-do-mar que permaneceram vivos após serem amputados. Pesquisadores estudaram Psolus fabricii, um pepino-do-mar do Atlântico Norte, e observaram que tecidos cortados não morriam, mas pareciam crescer. O achado foi publicado recentemente na Science Advances.
A pesquisa foi liderada pela doutoranda Sara Jobson, da Universidade Memorial, em Terra Nova e Labrador. Os experimentos usaram tecido de pés ambulacrários, corpo principal e tentáculos, expostos a água do mar não tratada em laboratório. Os fragmentos resistiram à morte.
O estudo descreve que os tecidos se regeneraram e absorveram nutrientes, mesmo sem boca. A equipe chamou esses explantes de tecido de zumbis, por parecerem entre vida e morte. Importa notar que não formaram novos organismos completos.
O que a pesquisa revelou
Os fragmentos não deram origem a indivíduos reprodutivamente ativos. Não houve necrose ou degradação rápida, e o tecido permaneceu estável por mais de três anos, segundo os autores. O trabalho questiona o conceito de o que significa estar vivo em termos de tecido isolado.
A percepção é de que a imortalidade tecidual pode existir em condições naturais, segundo a autora principal. O estudo não indica que o tecido tenha função de autopreservação evolutiva, mas aponta para mecanismos de manutenção celular em tecidos.
Implicações e contextos
Especialistas externos destacam que o achado pode esclarecer caminhos da regeneração, cicatrização e envelhecimento de tecidos. A pesquisadora Veronica Hinman, da Universidade da Flórida, ressalta que o estudo foca no significado de estar vivo como uma propriedade do organismo como um todo, não apenas das células.
O achado teve origem acidental durante observações em ambientes marinhos. Em condições de laboratório, alguns pepinos-do-mar mantiveram partes cortadas vivas, quando agarradas ao vidro, demonstrando resistência incomum à degradação. O estudo descreve esse fato como chave para a hipótese de tecido imortal.
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