Avian vampire flies, Philornis downsi, só foi identificado nas Ilhas Galápagos há quase 30 anos, apesar de supostamente ter chegado do continente Equador na década de 1960. A descoberta aconteceu de forma acidental, em Santa Cruz, durante levantamento de espécies nativas.
Birgit Fessl, especialista em aves da Darwin Foundation, descreveu um ninho de pica-pau-finco em que encontrou filhotes mortos e, ao abrir, viu larvas sugando sangue. Segundo ela, a infestação se espalhou pelas ilhas habitadas, causando mortalidade e mutilações, embora passasse despercebida por falta de atenção ao problema.
Nova forma de medir impactos
Uma equipe internacional publicou, no início de maio, um framework para quantificar o sofrimento causado por invasões biológicas em animais. O estudo testou o modelo em centenas de casos com aves e formigas, mostrando resultados consistentes e revelando lacunas em abordagens que se concentram apenas em biodiversidade ou impactos econômicos.
O novo sistema, batizado de AWICIS, avalia indicadores indiretos de sofrimento (físico, comportamental, psicológico) e traça como ele é infligido, por quanto tempo e com que grau de confiança. A ferramenta também ajusta a pontuação conforme a certeza dos pesquisadores.
Relevância e perspectivas
Pesquisadores destacam que o AWICIS pode trazer foco a impactos de espécies pequenas, onde o sofrimento é expressivo, e reforça a necessidade de prevenção, antes de chegarem a ecossistemas. A iniciativa deve influenciar decisões de conservação, segundo especialistas ouvidos pela publicação.
A IUCN reconhece potencial utilidade prática do framework caso haja adoção pela comunidade científica e conservacionista. Parte dos avaliadores observou que o modelo pode exigir ajustes para incluir efeitos em invertebrados, como moscas, e que a aplicação depende de recursos disponíveis.
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