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Relatório aponta temperaturas globais próximas de recordes em cinco anos

Relatório da ONU e Met Office projeta cinco anos com temperaturas globais próximas de recordes, Ártico aquecendo mais rápido e El Niño provável

Vista da geleira Iver na Cordilheira dos Andes. O aumento das temperaturas globais devido às mudanças climáticas levou ao recuo da geleira e ao derretimento do permafrost
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O relatório anual divulgado pela agência meteorológica da ONU e pelo Met Office do Reino Unido aponta que as temperaturas médias globais devem ficar próximas de recordes nos próximos cinco anos. A expectativa é de que as temperaturas superficiais variem entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais de 1850-1900, com o Ártico aquecendo mais rapidamente.

Segundo o documento, é muito provável que a temperatura média global ultrapasse temporariamente 1,5°C em pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Um ano adicional nesse período pode ainda superar o recorde de 2024, quando as temperaturas globais já haviam passado desse patamar.

A pesquisadora Melissa Seabrook, do Met Office, destacou que cruzar esse limiar não implica fracasso do Acordo de Paris, já que o acordo trabalha com médias de longo prazo, ao longo de 20 anos. Contudo, o aquecimento contínuo aumenta a frequência de ultrapassagens no futuro.

Eventos climáticos mais severos

O estudo aponta que, nos próximos cinco anos, as temperaturas de inverno no Hemisfério Norte devem subir cerca de 2,8°C acima da base de 1991-2020, em ritmo acima da média global. A previsão também indica derretimento do gelo marinho no Ártico em março, nos mares de Barents, Bering e Okhotsk, ao longo de boa parte do período.

O aquecimento ártico pode desestabilizar padrões meteorológicos e favorecer eventos extremos nas regiões mais ao norte. Além disso, o relatório prevê maior umidade nos invernos do Hemisfério Norte e chuvas no norte da Europa, no Alasca, na Sibéria e no Sahel entre maio e setembro, com Amazônia enfrentando menor umidade nesse intervalo.

O documento também prevê um forte El Niño para o inverno atual, com potencial de persistir até 2027. Esse aquecimento anual das temperaturas de superfície do Pacífico pode elevar as temperaturas globais a patamares próximos de recorde, conforme as medições acompanham o fenômeno.

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