O que aconteceu: um estudo recente avaliou se o princípio ativo prallethrin, comum em repelentes de mosquitos, pode desorientar abelhas-do-burro, impedindo que retornem aos ninhos. Foram usados 123 indivíduos de Bombus terrestris, expostos a um repelente doméstico.
Quem está envolvido: pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, conduziram o experimento. Kimmo Kaakinen é o autor principal. A comparação envolveu dois grupos de controle e três de tratamento, com diferentes tempos de exposição.
Quando e onde ocorreu: o experimento foi realizado na Finlândia, com as abelhas expostas em condições controladas e, em seguida, soltas a 1 quilômetro de seus núcleos. O estudo foi publicado recentemente na Royal Society Open Science.
Como e por que: as abelhas foram expostas a repelente com prallethrin por 1, 10 ou 20 minutos, ou a um dispositivo idêntico sem o inseticida. Após a exposição, todas foram liberadas para ver quem retornaria ao ninho.
Resultados principais: 16 abelhas do grupo de controle voltaram para casa, frente a apenas 6, 2 e 0 retornos nos grupos expostos por 10 e 20 minutos, respectivamente. A diferença indica impacto do composto na capacidade de navegação.
Interpretações e implicações: os autores sugerem que a redução na taxa de retorno pode refletir alterações na navegação espacial, memória ou na capacidade de voar, o que compromete a nutrição da colônia ao reduzir a alimentação.
Contexto regulatório e comparações: a Comissão Europeia aprovou o uso de prallethrin por 10 anos, de 2026 a 2036. Ensaios laboratoriais mostraram mortalidade não aumentada entre abelhas, mas efeitos subletais ainda não são bem entendidos.
Notas adicionais: estudo anterior nos EUA em Apis mellifera não encontrou impactos em danças de recrutamento ou na forrageamento. Pesquisadores chamam atenção para a diversidade de resultados entre espécies e situações de exposição.
Conclusões provisórias: pesquisadores defendem a necessidade de mais estudos para entender quando efeitos tão marcantes aparecem e quais condições os tornam mais prováveis, sem tirar conclusões definitivas sobre segurança para polinizadores.
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