O Buraco Superprofundo de Kola, aberto na Península de Kola, no norte da Rússia, alcançou 12.262 metros sob uma tampa de metal. A perfuração revelou rochas de 2,7 bilhões de anos e temperaturas de cerca de 180 °C no fundo.
Iniciado em 1970, o projeto soviético Uralmash-4E tinha o objetivo de perfurar até 15 quilômetros para estudar a crosta continental. A obra estendeu-se por 24 anos, mantendo o recorde mundial até então.
Em 1992, a perfuração foi interrompida devido à degradação das ferramentas pelo calor intenso. Em 2008, o local foi definitivamente lacrado com uma tampa metálica, encerrando o empreendimento.
Dados-chave
- Local: Península de Kola, norte da Rússia
- Profundidade: 12.262 metros, recorde mundial
- Início: 1970; fim: 1992, com fechamento definitivo em 2008
- Temperatura de fundo: aproximadamente 180 °C
Descobertas científicas
O poço desafiou modelos geológicos ao mostrar ausência da descontinuidade de Conrad, substituída pela continuidade do granito em condições de alta pressão. O calor elevado revelou um gradiente geotérmico maior que o previsto, 2,7 °C por 100 metros.
Fraturas profundas apresentaram água e hidrogênio, o que até então era considerado improvável. Fossem microfósseis de organismos marinhos encontrados a 6 km permitiram concluir que partes da região já estiveram cobertas por oceano.
Impactos e legado
A perfuração revelou que o granito pode persistir sob alta pressão, exigindo revisões em modelos geotérmicos. O projeto contribuiu para o início de iniciativas internacionais de perfuração continental e inspira estudos atuais sobre a história profunda da Terra.
Desenlace e status atual
Hoje o sítio está abandonado, com a estrutura histórica em estado de deterioração. O local passa a ser considerado para futura transformação em museu geológico, mantendo o Poço de Kola como referência em exploração continental.
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