Foi identificado um mar escondido a 660 quilômetros de profundidade, sob a região sudeste da Elevação do Pacífico Leste. O achado revela uma placa tectônica antiga presa no manto, preservando um arquivo geológico desde a era dos dinossauros.
A descoberta foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Maryland, liderados por Jingchuan Wang. Técnicas de sísmica permitiram mapear o interior da Terra sem perfurações, por meio de uma tomografia semelhante à médica, que mede a velocidade do som nas rochas.
A equipe observou uma anomalia onde as ondas sísmicas desaceleram, indicando material mais frio e denso do que o magma ao redor. O local é descrito como uma antiga placa que afundou, mas ficou presa na Zona de Transição entre 410 e 660 km de profundidade.
Subducção e o papel da Zona de Transição
Os pesquisadores explicam que esse módulo funciona como barreira, impedindo o mergulho direto da rocha para o núcleo. O material encontrado pode ter começado a afundar no início do Período Triássico, mantendo-se estático por longos períodos.
Os resultados reforçam a ideia de que o manto não funciona como um líquido único. A laje sólida afundou na metade da velocidade originalmente prevista, sugerindo estabilidade de rochas muito antigas em camadas profundas.
Implicações para sismologia, vulcanismo e evolução
A existência de lajes sólidas profundas ajuda a explicar terremotos profundos distantes de falhas de superfície. Também influi no fluxo de calor terrestre e na dinâmica de cadeias vulcânicas, além de contribuir para modelos que descrevem o resfriamento do planeta.
Embora o estudo se concentre na Terra, oferece parâmetros para comparação com Marte e Vênus, que não apresentam placas tectônicas ativas. A pesquisa ajuda a entender como ambientes rochosos evoluíram e esfriaram no passado.
Um arquivo vivo sob os pés
A evidência de um “arquivo” mantido no manto mostra que a geologia terrestre é mais complexa do que se supunha. As estruturas profundas conectam o que ocorre a grande profundidade com a estabilidade da superfície que vivenciamos hoje.
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