Em um experimento de laboratório, fêmeas do mosquito Aedes aegypti aprenderam a aceitar um repelente químico e desenvolveram preferência pelo sangue de vítimas que o usaram. O estudo foi realizado por pesquisadores da universidade de Tours, na França, em parceria com a Virginia Tech, EUA, e publicado na Journal of Experimental Biology na quinta-feira (28).
Os mosquitos treinados, 6 de cada 10, mostraram: ao serem expostos a repelente à base de DEET em mãos dos pesquisadores, passaram a tentar morder. O resultado sugere um aprendizado que torna a substância apetecível, em vez de repulsiva, sob determinadas condições.
O pesquisador responsável destacou que o DEET continua sendo o padrão-ouro de repelentes. Ainda assim, o estudo, conduzido em condições de laboratório, não implica resistência real no ambiente externo nem mudanças no comportamento de mosquitos selvagens.
Metodologia e resultados
O experimento combinou exposição inicial ao repelente com alimentação dos insetos e, depois, nova apresentação do DEET na pele humana. Fêmeas treinadas passaram a preferir a mão contaminada pelo composto, ao contrário de mosquitos não treinados.
Os autores ressaltam que o efeito pode envolver tanto a química quanto a experiência adquirida pelo inseto. Isso levanta a hipótese de que o odor tenha significado diferente para o mosquito após o aprendizado.
A pesquisa aponta para novas perguntas sobre proteção individual e estratégias de controle. Em desenvolvimento, há cooperação com cientistas da Argentina para explorar repellentes com base na biologia sensorial e no comportamento dos mosquitos.
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