O estudo realizado nas Bahamas aponta contaminação de tubarões por cafeína, remédios e cocaína em sangue de animais jovens que não costumam migrar. A pesquisa envolve 85 amostras, das quais 28 apresentaram substâncias associadas ao tratamento inadequado de esgoto humano.
A investigação foi publicada na revista Environmental Pollution e conduzida pela Fiocruz em parceria com a UFPR. Participaram ainda pesquisadores da Universidade Mayor, do Chile, e das federais de Santa Catarina e do Ceará.
Os tubarões analisados pertencem às espécies Carcharhinus perezi, Ginglyostoma cirratum e Negaprion brevirostris. Os fluidos sanguíneos indicaram contaminação local, sem evidência de deslocamento migratório nesses indivíduos.
Sequência de contaminação e contexto regional
A descoberta representa a primeira detecção mundial de cafeína e paracetamol em tubarões, associada a uma linha de pesquisa iniciada em 2024 com cocaína registrada em tubarões no Rio de Janeiro. Três animais da espécie Rhizoprionodon lalandii tiveram droga identificada.
A pesquisadora Natascha Wosnick, líder do estudo, destaca que Bahamas era vista como ambiente relativamente limpo, apesar do turismo intenso. Estudos anteriores apontaram a presença de contaminantes sem relação direta com atividades locais.
Parâmetros biológicos e próximos passos
Os pesquisadores observam alterações em marcadores metabólicos, como ureia, lactato e triglicerídeos, que sugerem impacto no metabolismo dos tubarões. Estudos adicionais em laboratório estão previstos para ampliar a compreensão dos efeitos.
Além das substâncias analisadas, a equipe avaliou a presença de metais, incluindo lítio, potencialmente ligado a resíduos de lixo eletrônico. Os resultados indicam necessidade de monitoramento contínuo da fauna marinha e de políticas de tratamento de esgoto.
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