A pesquisa mostra que a pele de anfíbios abriga bactérias protetoras contra o fungo Bd, responsável pelo declínio de várias espécies. Essas comunidades microbianas dependem da conectividade entre floresta e água, tema conhecido como habitat split. O estudo foi publicado na PNAS.
Foram analisados 586 rãs de quatro espécies na Mata Atlântica paulista, em áreas com diferentes níveis de conexão entre floresta e corpos d’água. Dados de AmphiBac ajudaram a estimar a fração de bactérias que bloqueiam o Bd.
O habitat split reduz a presença de bactérias protetoras na pele. Esse efeito foi observado em quase todas as espécies, mesmo após controlar cobertura florestal, bordas da mata e data de coleta.
Duas espécies migratórias, Ischnocnema henselii e Rhinella ornata, apresentaram maior carga do fungo em áreas mais fragmentadas. Já Boana faber, maior e ágil, usa bromélias-tanque como micro-habitat úmido sem precisar sair da mata.
Essa adaptação diminui o impacto do habitat split na Boana faber, aglutinando água dentro da floresta. Bromélias funcionam como amortecedores, conectando os animais ao ambiente úmido sem deslocamento externo.
Desdobramentos ecológicos
Proteção de fragmentos isolados não basta; é preciso reconectar floresta aos rios. Corredores ecológicos, restauração de matas ciliares e pequenos alagados podem ter efeito mais significativo que apenas ampliar áreas florestais.
Os modelos indicam que, para espécies migratórias, o tempo de exposição ao habitat aquático regula a montagem da microbiota. Em paisagens conectadas, o contato com água é contínuo ao longo do ano; em áreas desconectadas, o contato é interrompido.
A conclusão aponta que a saúde de anfíbios está ligada à saúde da paisagem. O estudo sugere que manter a conectividade entre mata e água permite respostas imunes mais estáveis, ajudando a resistência a Bd. A preservação efetiva requer olhar para padrões de conectividade.
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