Um conjunto de fósseis com 567 milhões de anos, encontrado nas Montanhas Mackenzie, no Canadá, pode ter revisado a cronologia da reprodução sexuada. O estudo, publicado em 20 de maio na revista Science Advances, sugere que organismos capazes de combinar material genético existiam 5 a 10 milhões de anos antes do que indicavam registros anteriores.
O destaque fica com um organismo tubular de corpo mole, ligado ao fundo marinho no período Ediacarano, pertencente ao gênero Funisia sp. Mesmo com simplicidade aparente, ele é considerado a evidência mais antiga da reprodução sexuada no registro fóssil. Pesquisadores sugerem que liberava espermatozoides e óvulos de forma sincronizada na água.
A descoberta reforça a ideia de que a reprodução sexuada impulsionou a variabilidade biológica e abriu caminho para uma grande diversidade de formas de vida. A hipótese é de que avanços evolutivos iniciais ocorreram, em parte, em ambientes marinhos profundos.
O sítio fossilífero onde Funisia sp. foi encontrado abriga mais de 100 fósseis da biota ediacarana, anterior à explosão Cambriana. A região norte-americana passa a oferecer novas evidências sobre o conjunto do Mar Branco na América do Norte e amplia o registro de grupos conhecidos.
Entre os fósseis identificados no local estão Dickinsonia, Kimberella e Eoandromeda. Esses espécimes ajudam a reconstruir o momento em que animais maiores e com comportamentos complexos passaram a dominar ecossistemas marinhos.
Os pesquisadores destacam que a idade dos fósseis, associada ao ambiente de águas profundas, sustenta a hipótese de que inovações evolutivas relevantes podem emergir primeiro em meios abissais. A estabilidade das profundezas poderia ter favorecido o surgimento de formas animais complexas.
A equipe indica que o sítio pode guardar novas evidências sobre como os primeiros animais evoluíram e dominaram os ecossistemas oceânicos. As camadas rochosas cobrem áreas com potencial de revelar mais fósseis da época ediacarana.
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