Três estudos apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago, indicam possível vínculo entre canetas emagrecedoras, que utilizam agonistas do GLP-1, e impactos em tumores de mama, pulmão, intestino e fígado. A pesquisa sugere redução na incidência de câncer e na progressão da doença, além de potencial ganho de sobrevida em pacientes oncológicos.
Um levantamento com 111.646 mulheres de 45 a 80 anos analisou prontuários entre janeiro de 2022 e junho de 2025. Entre 15.264 usuárias de GLP-1 e 96.382 não usuárias, houve menor diagnóstico de câncer de mama nas primeiras. A redução foi de 35,1% na população geral e de 30,5% na amostra ajustada.
O estudo, conduzido pela Universidade da Pensilvânia e apresentado pela professora Elizabeth McDonald, aponta que o uso de GLP-1 ocorreu concomitantemente à imagem mamária, sem interferência de fatores como idade, raça e obesidade. Os resultados foram publicados pela revista JCO Oncology Practice.
Avanços internacionais e desfechos
Outro estudo italiano com cerca de 27 mil pacientes mostrou que a combinação de medicamentos para perda de peso com tratamento convencional associou-se a queda de aproximadamente 30% no risco de morte por câncer de mama. Os autores destacam necessidade de confirmação em ensaios clínicos.
A Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, analisou 12 mil pessoas com tumores de mama, pulmão, intestino ou fígado. Os dados indicam que usuários das canetas tiveram entre 38% e 50% menos probabilidade de evoluir para estágios avançados ou de apresentar metástases.
Contexto e explicações técnicas
Pesquisas associam obesidade ao aumento de risco de câncer de mama, por meio de fatores como estrogênio no tecido adiposo, inflamação crônica e resistência à insulina. Os especialistas enfatizam que o ambiente metabólico do corpo pode favorecer a proliferação tumoral.
Médica da Oncologia D’Or destaca o papel da obesidade no manejo de pacientes com câncer de mama, incluindo intervenções para reduzir peso. A relação entre GLP-1 e redução de risco oncológico permanece em estudo, sem confirmação de causalidade exclusiva.
Perspectivas futuras e limites
A Universidade da Pensilvânia planeja um ensaio clínico multicêntrico para avaliar a eficácia da estratégia em mulheres com alto risco para a doença. Pesquisadores ressaltam que os benefícios potenciais não substituem medidas preventivas estabelecidas, como mamografias, alimentação saudável e atividade física.
Segundo Solange Sanches, do ACCamargo, a discussão sobre GLP-1 está ligada ao papel da obesidade na oncologia. Já a especialista Laura Testa aponta que o manejo do peso é frequente no cuidado de pacientes com câncer de mama, integrando estratégias de tratamento.
O que se sabe até agora
- Agonistas de GLP-1 imitariam hormônio que regula insulina e saciedade, com efeitos sobre o peso e o metabolismo.
- Dados apresentados sugerem associação entre GLP-1 e menor incidência ou progressão de certos cânceres, mas não estabelecem causalidade definitiva.
- Pesquisas futuras devem esclarecer se os efeitos decorrem da perda de peso ou de vias biológicas diretas.
A comunidade médica segue acompanhando os resultados, que poderiam ampliar opções de prevenção e manejo oncológico, especialmente para pacientes com sobrepeso ou risco elevado.
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