Meteoritos ajudam a explicar a formação da Terra e do Sistema Solar. Pesquisadores publicaram na Science Advances que fósforo e nitrogênio, essenciais para o surgimento da vida, vieram principalmente de materiais formados na região interna do sistema. A ideia contrasta com a hipótese de aporte significativo de objetos do sistema externo.
O estudo envolve meteoritos de ferro e condritos, que preservam registros dos primeiros milhões de anos do sistema. Os cientistas analisaram a relação entre fósforo e nitrogênio, observando como P/N variava ao longo do sistema primitivo.
Metodologia e papel de Júpiter
Experimentos de laboratório e modelos geoquímicos mostraram que os planetesimais externos exibiam mais fósforo no início, enquanto os internos passaram a concentrar mais esses elementos na geração seguinte. A gangorra gravitacional de Júpiter é apontada como responsável por bloquear o transporte entre as regiões, influenciando a distribuição química.
Segundo os autores, a assinatura atual da Terra de fósforo e nitrogênio é melhor reproduzida por materiais do Sistema Solar interno. O resultado sugere que a Terra ganhou a maior parte de seus elementos durante a formação, sem depender fortemente de aportes externos.
A pesquisa também abre caminho para entender a habitabilidade de exoplanetas. Se gigantes gasosos moldam a disponibilidade de elementos, a presença de planetas semelhantes a Júpiter pode ser relevante na avaliação de mundos fora do nosso sistema.
O estudo tem Debjeet Pathak como autor principal e Rajdeep Dasgupta, ambos da Universidade Rice, como autores sênior. Os resultados reforçam a ideia de que os ingredientes da vida podem ter chegado com os processos de formação inicial da Terra.
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