O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) pode ter mais de uma forma de se apresentar no cérebro. Uma pesquisa publicada na JAMA Psychiatry em 2026, liderada por Nanfang Pan, MD, aponta três perfis cerebrais distintos entre crianças com TDAH. O estudo envolve mais de mil participantes e chamou atenção por usar apenas dados cerebrais para separar os grupos. Centros de pesquisa na China e nos EUA participaram.
Ao comparar imagens de ressonância magnética estrutural de crianças com e sem TDAH, os cientistas identificaram padrões diferentes de organização cerebral. Os resultados sugerem que o TDAH não é uma única condição, mas um conjunto de alterações neurais com bases biológicas diversas. As descobertas indicam variações em sistemas químicos como dopamina, serotonina e glutamato.
Biotipos cerebrais do TDAH
Biotipo 1: mais intenso e emocional. Este grupo mostrou alterações em regiões ligadas ao controle emocional e às decisões. Desatenção e hiperatividade são mais pronunciadas, com desregulação emocional e maior dificuldade de lidar com frustração e impulsividade.
Biotipo 2: hiperatividade predominante. Alterações ocorrido em circuitos de controle de impulsos. Hiperatividade e impulsividade são mais marcantes, com menor impacto da desatenção. A regulação emocional tende a evoluir de forma mais estável neste grupo.
Biotipo 3: desatenção dominante. Alterações concentram-se em áreas de atenção e memória de trabalho. A desatenção é o destaque, com hiperatividade menos presente e mudanças cerebrais mais localizadas.
Os pesquisadores destacam que os três perfis foram identificados apenas a partir de dados neurológicos, sem informações clínicas. A diferença entre eles aponta para formas divergentes de neurodesenvolvimento associadas ao TDAH.
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