Os leões que habitavam as cavernas da Era do Gelo eram de uma espécie distinta dos leões atuais. Pesquisadores reconstroem o DNA de exemplares da época, mostrando que Panthera spelaea não era apenas gigante, mas também conectada genéticamente a populações da Europa Ocidental e da Sibéria.
A conclusão vem de uma análise genômica completa publicada na revista Cell. Doze genomas de leões-das-cavernas, que viveram entre 148 mil e 17 mil anos atrás, foram comparados aos de leões modernos, revelando uma separação entre 1,7 milhão e 1 milhão de anos.
Separação e expansão
A pesquisa sugere que o ancestral comum dos leões modernos africanos/asiáticos e dos leões-das-cavernas se separou há 1,7 a 1 milhão de anos, com parte da variação decorrente de cruzamentos posteriores entre espécies. A divulgação aponta paralelos com a expansão de hominídeos fora da África.
Distribuição e presença no Novo Mundo
O estudo indica que o P spelaea formou uma população cosmopolita, cruzando a ponte de terra de Bering e alcançando o Novo Mundo antes de boa parte da espécie humana. A circulação entre regiões sugere trocas genéticas rápidas ao longo de milênios.
Aparência e arte rupestre
Representações em Chauvet e uma estatueta de marfim demonstram que a espécie poderia ter sido maior que os leões atuais. As imagens raramente mostram juba, o que alimenta a hipótese de machos sem juba; porém, os autores ressaltam que ainda não há confirmação genética sobre esse traço.
Interações com leões modernos
Ao longo das mudanças de clima, houve recuos populacionais e encontros com leões modernos. Exemplares asiáticos preservaram traços de miscigenação, com alguns indivíduos apresentando ancestralidade compartilhada com populações da Síria e Mesopotâmia, hoje extintas.
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