O tratamento da obesidade pode ganhar um novo capítulo com o berobenatide, medicamento experimental da Pfizer, apresentado no Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA). A proposta é reduzir as aplicações de injeção para apenas uma vez por mês, em vez da prática atual de doses semanais.
O estudo avalia a viabilidade de adesão ao tratamento ao simplificar a rotina de pacientes. O berobenatide pertence à mesma classe de GLP-1 que inclui Ozempic e Wegovy, mas busca uma administração mensal.
Desempenho em pesquisas clínicas
Em três estudos, a Pfizer selecionou doses para a fase 3, buscando equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade. Os resultados indicam boa tolerância ao longo da transição de semanal para mensal.
No estudo mais recente, adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes passaram por ajuste semanal das doses, seguido de aplicações mensais, com o objetivo de manter a perda de peso.
Em uma das etapas, quem atingiu 2,4 mg semanais apresentou queda média de quase 16% no peso ao longo de 32 semanas, sem estabilização clara da curva. O resultado não compara diretamente com o placebo.
Impactos na saúde metabólica
Em um estudo com obesidade, sobrepeso e diabetes tipo 2, a dose semanal de 1,6 mg reduziu a hemoglobina glicada em 28 semanas, em 2,2 pontos percentuais, frente 0,2 ponto no grupo placebo.
A apresentação mensal em estudo utiliza uma dose de 0,5 ml por aplicação. A Pfizer planeja dez estudos de fase 3 em 2026 para peso e condições associadas, como apneia do sono e osteoartrite do joelho.
Perspectivas e status regulatório
O endocrinologista Alexander Benchimol acompanhou a divulgação em Nova Orleans e disse que a aplicação mensal facilitaria a adesão ao tratamento de obesidade.
No entanto, ainda não há confirmação de eficácia e segurança em grandes grupos ou de aprovação regulatória. Os resultados devem vir de pesquisas adicionais de fase 3 com duração maior.
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