O Sistema Solar pode ter passado por uma fase de grande turbulência na sua infância. Um estudo publicado na revista Icarus sugere que um gigante de gelo pode ter sido expulso há bilhões de anos, durante um período de instabilidade entre os planetas gigantes.
Segundo a pesquisa, o conjunto de simulações aponta para a existência de um planeta gigante adicional que não faz mais parte do sistema. A hipótese busca explicar a atual configuração orbital dos planetas e algumas características observadas em luas de Urano e Júpiter.
Os cientistas analisaram o chamado Modelo de Nice, ocorrido entre 4 e 4,5 bilhões de anos atrás. Encontros gravitacionais intensos teriam mudado posições e até expulso alguns mundos para regiões distantes.
Cinco ou seis gigantes no passado
Ao longo de dezenas de simulações, os pesquisadores reconstruíram trajetórias que, em muitos casos, terminaram com colisões ou expulsões. Resultados sugerem que sistemas com cinco ou seis planetas gigantes descrevem melhor determinadas características atuais do sistema externo.
Luas de Urano sob nova perspectiva
Entre os destaques, está o destino das luas de Urano. Os modelos indicam períodos de turbulência que teriam levado a colisões entre luas, gerando nuvens de fragmentos gelados que voltaram a se agrupar pela gravidade.
Essa sequência pode explicar a origem de Miranda, uma das luas uranianas de geometria geológica notável.
Implicações e próximos passos
A hipótese não está comprovada e requer novas evidências. O estudo de Clement, responsável pela pesquisa, reforça que o Sistema Solar pode ter passado por transformações dramáticas durante sua formação.
Caso futuras investigações confirmem esse cenário, o planeta gigante perdido passaria a ocupar um lugar central na compreensão de como o nosso quintal cósmico chegou à configuração observada hoje.
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