Durante décadas, manguezais foram fortemente pressionados por aquicultura, agricultura e urbanização. Um estudo recente, publicado na revista Science, aponta que as florestas de mangue do mundo deixaram de declinar e passaram a crescer globalmente, reverberando na proteção costeira e na captura de carbono.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Tulane, analisou quatro décadas de imagens de satélite. A conclusão é que perdas históricas foram amplamente compensadas pela regeneração natural e pela expansão para novas áreas costeiras, sinalizando uma virada positiva para esse ecossistema.
No Brasil e em outras regiões, a recuperação não é uniforme. Ásia e Oceania mostram manguezais recolonizando áreas de viveiros abandonados e avançando sobre planícies de lama formadas por sedimentos. Na costa do Golfo do México, houve avanço de manguezais para latitudes mais altas após 2012.
Além da expansão, muitas áreas existentes registram maior densidade. Manguezais de dossel fechado surgem com maior proteção costeira e capacidade de armazenar carbono, elevando a estimativa de seu papel climático. Entretanto, a vulnerabilidade a eventos climáticos permanece.
Especialistas destacam que parte do crescimento depende da continuidade de processos naturais, como o suprimento de sedimentos fluviais. Intervenções humanas que reduzem o desmatamento são consideradas cruciais para manter o balanço positivo observado.
A pesquisa ressalta que novos manguezais tendem a ser jovens e ainda não oferecem plenamente os benefícios de ecossistemas maduros. O desmatamento continua representando uma ameaça em diversas regiões costeiras, o que pode frear os ganhos observados.
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