A ideia de que o corpo humano seria “10% humano e 90% bactéria” já circulou há décadas. Estudos antigos subestimavam ou superestimavam a composição celular, mas não refletiam a prática de hoje.
Em 2016, uma análise estimou 30 trilhões de células humanas contra 38 trilhões de bactérias, sugerindo que as bactérias representam cerca de 55% do número total de células do corpo, sem considerar a massa corporal.
Os dados indicam ainda a existência de cerca de 10 mil espécies diferentes de microrganismos convivendo em nós, em locais como pele, trato digestivo e mucosas. Fatores de indivíduos podem alterar essa composição.
Onde estão e de onde vêm
As bactérias habitam o intestino, a pele, a saliva e a mucosa oral, entre outros. O cólon é o maior reservatório, seguido pela pele, com(variação entre indivíduos).
A colonização inicia nas primeiras 24 horas após o nascimento. Bebês entram em contato com microrganismos da mãe, do ambiente e, conforme crescem, com alimentos e objetos, moldando a microbiota.
A composição inicial pode influenciar a saúde ao longo dos anos, com efeitos que persistem por longos períodos. A forma de parto e o tipo de alimentação podem alterar a comunidade microbiana de forma significativa.
O papel do microbioma
Além de compor o segundo genoma humano, as bactérias influenciam a expressão de genes humanos, modulando processos metabólicos e imunológicos. Estimativas associam cerca de 20 mil genes humanos a um conjunto de aproximadamente 20 milhões de genes microbianos.
Segundo o microbiólogo Sarkis Mazmanian, do Caltech, a interação entre DNA humano e DNA microbiano é um fator essencial para o que consideramos como humano, destacando a importância do microbioma no funcionamento do organismo.
A presença de microrganismos, portanto, não é apenas coexistência; é parte integrada do funcionamento biológico, com impacto potencial na saúde e no desenvolvimento ao longo da vida.
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