O isópode de águas profundas Bathynomus doederleini e Bathynomus jamesi pode sobreviver por mais de cinco anos sem comer. A descoberta foi publicada na revista Cell na última sexta-feira. A pesquisa aponta estômago dilatado e metabolismo reduzido como fatores centrais.
A equipe da Universidade da Academia Chinesa de Ciências analisou duas espécies de batinomídeos, em profundidades de 300 m e 898 m. Foram usadas abordagens de genômica, morfologia, fisiologia, comportamento e metagenômica para entender a tolerância à inanição.
Os resultados destacam que o estômago gigante, ocupando cerca de dois terços do corpo, armazena grandes quantidades de alimento. A pasta resultante tem baixa presença de bactérias digestivas, com abundância de Chlamydiae, associadas ao armazenamento de lipídios.
Estrutura metabólica e genética
A pesquisa identificou uma taxa metabólica basal muito baixa, o que ajuda a conservar reservas energéticas. Além disso, foi registrado o gene ND1, transferido horizontalmente, apontado como crucial para o metabolismo energético.
O ND1, originário de bactérias simbióticas, está integrado ao genoma dos isópodes. A expressão elevada desse gene modula a rede mitocondrial e reduz a depressão metabólica, favorecendo organismos grandes com acesso limitado a alimento.
Epigenética e adaptação em temperaturas profundas
A expressão de ND1 é regulada por modificações epigenéticas de histonas, o que reforça a eficiência energética em condições de baixa temperatura. Experimentos em peixes-zebra, nematóides e células humanas sugerem aumento de tolerância à privação de nutrientes sob essas condições.
Os cientistas destacam que a combinação de transferência horizontal de genes e epigenética representa uma estratégia evolutiva inédita na fauna de águas profundas para reprogramar o armazenamento de energia.
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