O projeto Sea Care, liderado pela Itália, divulgou nesta segunda-feira resultados sobre a presença de genes de resistência a antimicrobianos em oceanos ao redor do mundo. Amostras coletadas em diversas bacias indicam a circulação de marcadores genéticos ligados à resistência em ambientes marinhos. A divulgação ocorreu durante um fórum sobre oceanos e saúde humana em Roma.
Os pesquisadores identificaram esses genes no Mediterrâneo, Atlântico e Ártico, além de outras áreas oceânicas. As maiores concentrações foram observadas próximo a rotas comerciais intensas e em zonas costeiras com alta densidade populacional. A análise aponta o papel dos oceanos como reservatório de poluição terrestre.
O estudo aponta que poluentes liberados no ambiente podem ser redistribuídos globalmente via água, alimentos e mudanças climáticas, potencializando a disseminação de genes de resistência. A equipe ressalta a importância de monitoramento contínuo para entender impactos na saúde pública.
Contexto e participantes
A Sea Care envolve o Instituto Nacional de Saúde da Itália (ISS), a Marinha Italiana e centros de pesquisa internacionais. O objetivo é criar um sistema global de monitoramento dos oceanos, integrando saúde ambiental e saúde humana.
A iniciativa utiliza rotas navais existentes e redes científicas para coletar amostras durante missões de rotina, buscando reduzir custos e impactos ambientais. Nos três primeiros anos, foram coletadas mais de 4.000 amostras em mais de 140 pontos.
Implicações e próximos passos
Especialistas afirmam que os oceanos podem atuar como alerta precoce para riscos globais à saúde, orientando políticas de combate à poluição, às mudanças climáticas e às ameaças emergentes. O Sea Care planeja ampliar a rede de coleta e ampliar a cobertura geográfica nos próximos anos.
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