O Zoo de Leipzig, na Alemanha, sediou uma iniciativa para mapear 18 anos de pesquisas com grandes primatas. O EVApeCognition reúne experiências, decisões e relacionamentos de chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos em um banco de dados padronizado.
O objetivo é compreender cognição, inteligência e comportamento social, com dados de 262 conjuntos de experimentos e 150 publicações entre 2004 e 2021. Ao todo, 81 primatas participaram, com a maioria em mais de um estudo.
Ao longo do tempo, a equipe verificou padrões de cooperação e resolução de conflitos, buscando entender se diferenças entre espécies decorrem de traços estáveis, relacionamentos ou condições experimentais.
Desigualdades na pesquisa e próximos passos
O conjunto destaca o predomínio de chimpanzés nos registros. Bonobos, gorilas e orangotangos aparecem de forma menos representada, o que limita comparações entre espécies.
Os autores defendem estudos com grupos maiores de primatas, em vez de pares, para aproximar os experimentos da vida social natural. Em ambiente de grupo, os desafios são diferentes e mais próximos da natureza.
Em estudos recentes, quartetos de primatas mantiveram acesso a iogurte por mais tempo que pares, sugerindo que tolerância social influencia a cooperação. Lideranças moderadas também favoreceram a cooperação.
O conteúdo indica que pesquisas em cativeiro devem considerar o contexto social amplo, incluindo hierarquias e vínculos entre indivíduos. A investigação busca tornar as conclusões mais generalizáveis para a vida diária dos primatas.
O conjunto EVApeCognition busca, ainda, conectar comportamentos observados em cativeiro com a vida em ambiente natural, ampliando a validade ecológica dos resultados. Sistemas de dados ajudam a comparar condições diversas.
Pesquisas associadas indicam que o raciocínio de ordem superior envolve atualização de crenças com base em várias fontes de informação. Estudos recentes apontam convergências entre espécies e situações de tomada de decisão.
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