O aumento do consumo de suplementos termogênicos tem levado brasileiros, especialmente jovens e frequentadores de academia, a buscar resultados rápidos para perder peso. Vendidos como aceleradores do metabolismo, esses produtos ganham espaço nas prateleiras, mas o uso descontrolado representa risco à saúde pública.
Grupos devem evitar o uso desses suplementos: pessoas com doenças cardiovasculares, gestantes e lactantes, além de quem tem problemas gastrointestinais, renais, hepáticos ou transtornos de ansiedade. O consumo conjunto com medicamentos ou suplementos não supervisionados aumenta a chance de danos.
A Anvisa criou regras para proteger o consumidor. A RDC 243/2018 define limites para nutrientes e substâncias bioativas; a IN 28/2018 lista ingredientes autorizados; e as RDCs 241/2018 e 242/2018 tratam da fabricação, propaganda e registro/notificação de produtos. Efedrina e DNP já foram associados a desfechos fatais.
A linha do tempo registra avanços: em 2003 houve alertas sobre efedrina; em 2010 o DNP foi proibido após mortes; em 2018 consolidou-se o marco regulatório atual; entre 2022 e 2024, houve intensificação da fiscalização em plataformas digitais, com apreensão de produtos adulterados.
Efeitos clínicos incluem arritmias, hipertensão e palpitações após ingestão de altas doses de cafeína. Casos de eventos cardíacos e até acidentes vasculares são relatados, bem como crises de ansiedade e quadros maníacos ligados ao uso indiscriminado de estimulantes. Os riscos são clínicos e recorrentes.
Pesquisas nacionais indicam hábitos preocupantes. Um estudo de 2022 na Serra Gaúcha mostrou que 62,7% dos praticantes de musculação já usaram ou usam termogênicos, com mais da metade iniciando por indicação de vendedores ou automedicação. Outra pesquisa de 2026 com universitários da saúde apontou que 28,7% consomem sem prescrição, relatando insônia, agitação e dores.
A necessidade de educação em saúde é destacada, junto com rotulagem clara e orientação profissional para quem pensa em utilizar esses suplementos. A ideia de que uma cápsula resolve o desafio do peso ignora a importância de mudanças de estilo de vida, alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico.
Os termogênicos podem parecer solução rápida, mas seus efeitos são limitados e os riscos, reais. A regulação e a fiscalização devem seguir fortalecidas, enquanto a população precisa questionar promessas fáceis e buscar orientação qualificada para evitar danos. A saúde pública exige responsabilidade coletiva.
Fontes: dados regulatórios da Anvisa; estudos publicados em revistas nacionais de saúde; relatos de emergências hospitalares e pesquisas sobre consumo entre atletas e estudantes.
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