Uma ideia para enfrentar mudanças climáticas ganhou destaque: erguer uma barragem de 80 quilômetros no estreito de Bering, que liga o Pacífico ao Ártico. O estudo, publicado na Science Advances, é uma prova de conceito que testa o efeito de bloquear a passagem de água entre Rússia e Alasca.
Segundo os autores, sob condições específicas a barragem poderia influenciar a AMOC, a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, que regula o clima global ao transportar água quente para o norte. O objetivo seria manter o Atlântico Norte mais salgado e estável, reduzindo riscos de mudanças climáticas abruptas.
A pesquisa usa um modelo computacional do clima da Terra para simular cenários de fechamento do estreito. Os autores destacam que, se a AMOC estiver próxima do colapso, bloquear o estreito poderia piorar a instabilidade. Se, ao contrário, a AMOC estiver robusta, o fechamento ajudaria a manter a circulação.
Em entrevista simulada, os pesquisadores ressaltam que a barragem seria uma opção extrema diante de cenários de aquecimento. Eles enfatizam que reduzir emissões continua a melhor estratégia, mas admitem a possibilidade de ações drásticas em cenários de pior caso.
A proposta envolve impactos complexos: o estreito de Bering funciona como corredor de água doce entre Pacífico, Ártico e Atlântico. O fechamento mudaria esse equilíbrio, com efeitos potenciais sobre oceano, clima e ecossistemas. O momento certo é crucial, apontam os modelos.
Os autores estimam que a barragem, em dimensão e volume, se aproximaria de grandes diques existentes em outros continentes, mas destacam desvantagens. A estrutura seria praticamente permanente, dificultando remoção caso não atendesse às expectativas.
Especialistas externos, como o professor Thomas Haine, veem grande incerteza científica sobre efeitos e custos ambientais. Também ressaltam riscos para pesca, navegação e ecossistemas, sugerindo cautela na avaliação de qualquer projeto dessa magnitude.
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