A suspensão temporária da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan foi anunciada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (8). A decisão ocorreu após o registro de 42 reações adversas consideradas graves entre cerca de 501 mil pessoas vacinadas, com dois óbitos sob investigação. Mesmo diante da paralisação, a rede pública mantém a aplicação da Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, para pacientes brasileiros.
A vacina utilizada pelo SUS, a Qdenga, está disponível na rede pública desde 2024. Ela é destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e utiliza vírus da dengue atenuado, ou seja, enfraquecido para o processo de imunização.
Situação atual da vacinação
A estratégia com o Butantan envolvia profissionais da Atenção Primária à Saúde e pessoas de 15 a 49 anos, em cidades-pilot: Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO). A paralisação não interrompe a vacinação com a Qdenga em nenhum desses locais.
Especialistas atuam para esclarecer o cenário. A direção de uma comissão de vacinas afirma que a medida segue protocolos internacionais de monitoramento e não significa, por si só, que a vacina seja insegura ou que os eventos estejam causados por ela, destacando a importância de evitar aumento da hesitação vacinal. Em relação aos impactos, o monitoramento aponta queda na circulação da dengue no país.
A ocorrência de dengue segue sob análise epidemiológica. Este ano, a incidência ficou em cerca de 171,1 casos por 100 mil habitantes, enquanto em 2025 o índice foi de aproximadamente 3.193 casos por 100 mil. Esses números ajudam a contextualizar a percepção de risco e a necessidade de imunização contínua.
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