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Experimento internacional investiga como a Amazônia reage a CO₂ elevado

Experimento internacional monitora por dez anos o efeito de CO₂ 50% acima do atual em parcelas da Amazônia, avaliando crescimento, solo e interações ecológicas

Anéis em torno das seis parcelas da floresta amazônica em que serão feitas as pesquisas do AmazonFace sobre os efeitos de uma atmosfera enriquecida com CO2.
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Em junho, começam os testes finais das instalações do AmazonFace, maior experimento de campo sobre o tema. A pesquisa acompanha seis parcelas de floresta na reserva ZF2, perto de Manaus, por 10 anos. O objetivo é entender a Amazônia sob atmosfera com 50% mais CO2.

O estudo envolve o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e uma colaboração internacional iniciada em 2011. Três anéis receberão CO2 adicional durante o dia, simulando 620 ppm, enquanto outros três atuam como controle com a concentração atual de 420 ppm.

Cada anel tem 30 metros de diâmetro, 16 torres de 35 m e um tanque de CO2 líquido. Em campo, entre 50 e 70 árvores por anel permitem observar mudanças em uma floresta com cerca de 400 espécies.

Detalhes do experimento

As parcelas são visualmente próximas, com cerca de 90 metros entre si. A diferença-chave é o incremento de CO2 nos anéis de experimento, que servem para monitorar respostas fisiológicas, de crescimento e de interação entre as plantas.

Sensores medem temperatura, vento, CO2, fotossíntese, dinâmica das raízes e nutrientes do solo. Um guindaste de 45 m facilita o acesso à copa para medições periódicas.

Contexto técnico e dados anteriores

Câmaras de topo aberto, usadas entre 2019 e 2022, ajudaram a entender respostas de espécies específicas. Estudos mostraram adaptações radiculares no sub-bosque e maior colonização de micorrisas no solo.

Resultados preliminares indicam que plantas podem adaptar a extração de fósforo sob CO2 elevado, com impactos na serapilheira e na biomassa, mas ainda faltam dados sobre o ecossistema inteiro.

Financiamento e parcerias

Até agora, o projeto recebeu cerca de R$ 80 milhões, distribuídos entre instituições brasileiras e o MetOffice, do Reino Unido. O custo total estimado do AmazonFace é de aproximadamente R$ 260 milhões ao longo de 10 anos.

A coordenação nacional fica a cargo do Inpa e de pesquisadores brasileiros, com participação internacional desde 2019. O objetivo é compreender impactos de longo prazo da fertilização por CO2 na Amazônia.

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