Uma nova espécie de arqueia, microrganismo capaz de suportar temperaturas extremas, foi identificada por pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da USP. O achado ocorreu com amostras coletadas na ilha de Deception, na Antártida, e divulgado em março no ISME Communications. A descoberta ajuda a entender como esses organismos se adaptam a ambientes drasticamente diferentes.
A pesquisa, conduzida no ExtreMar, envolve a reconstrução de genomas por metagenômica a partir de amostras coletadas há mais de dez anos no PROANTAR. A equipe destacou que a nova arqueia apresenta genes de proteção de DNA que favorecem a estabilidade celular sob estresse térmico.
Uma biblioteca genética
As amostras foram revisitadas pela pesquisadora Ana Carolina Butarelli, primeira autora do estudo, que comparou genomas reconstruídos com registros existentes, identificando uma linhagem ainda desconhecida. A espécie recebeu o rótulo provisório Pyroantarticum pellizari, em homenagem à bióloga Vivian Pellizari.
A identificação foi possível apenas por meio de metagenômica, já que a arqueia ainda não foi isolada e cultivada em laboratório. Os trabalhos indicam que o material pode ser isolado em futuras expedições do PROANTAR, possivelmente no fim deste ano.
Relevância para a astrobiologia
Os autores destacam que ecossistemas de fumarolas em ilhas vulcânicas, como Deception, oferecem paralelos com oceanos de luas geladas, como Encélado e Europa. Arqueias extremófilas podem operar sem luz e sem oxigênio, abrindo caminho para hipóteses sobre a habitabilidade de mundos fora da Terra.
A pesquisa fortalece a compreensão da evolução das arqueias e seus mecanismos de adaptação. Pesquisadores adicionais devem aprofundar a caracterização da espécie, inclusive com tentativas de cultivo, para confirmar seus potenciais metabólicos e ecológicos.
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