O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 mostra que os municípios da Amazônia que mais desmataram nos últimos três anos não correspondem a melhores condições de vida. O estudo avalia 57 indicadores em 5.570 municípios.
Entre os 20 maiores desmatadores da região, nenhum ocupa posição entre a metade superior do ranking de qualidade de vida. Porto Velho (RO) é o que tem melhor desempenho entre eles, na 3.718ª posição, e também aparece como a pior capital do país em vida urbana.
Desempenho abaixo da média
Os quatro maiores desmatadores da Amazônia estão entre os 400 piores no IPS. São Félix do Xingu (PA) lidera o desmatamento, ocupando a 5.558ª posição. Altamira (PA) aparece em 5.454ª, Apuí (AM) em 5.518ª e Portel (PA) em 5.567ª.
Os dados reforçam que desmatamento não se traduz em melhor qualidade de vida, segundo o IPS. Municípios que convertiram floresta em pastagens apresentam, na prática, resultados ruins em educação, saúde, saneamento e segurança.
O que o IPS mede
O IPS não avalia riqueza, arrecadação ou PIB. Seu foco são resultados concretos de vida cotidiana: vacinação, mortalidade infantil, água tratada, saneamento, moradia, segurança, educação e inclusão social, entre outros.
Em áreas associadas à expansão da fronteira econômica, como Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, o padrão é de baixa posição no ranking, mesmo com atividade econômica intensa. O estudo aponta uma possível relação entre desmatamento e piora de indicadores sociais.
Reflexões e cenário regional
Até o momento, a narrativa de que floresta precisa ser aberta para haver desenvolvimento fica questionada pelos dados. A evidência sugere que a preservação não impede prosperidade, porém o desmatamento isoladamente não gera progresso.
O IPS recomenda buscar formas de prosperidade que preservem a floresta, com foco em melhoria de serviços públicos e bem-estar da população, sem depender da degradação ambiental para crescer.
Gustavo Nascimento é jornalista e coordenador de projetos em O Mundo que Queremos.
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