Noella Mukumbi, de 30 anos, recebeu insulina pela primeira vez em meio a uma esperança de salvar a vida. A experiência, porém, deixou a jovem da República Democrática do Congo com a sensação de estar morrendo. Cerca de três anos depois, especialistas sugerem que ela pode ter diabetes tipo 5, condição associada à desnutrição na infância.
Mukumbi, cabeleireira e mãe de dois filhos, foi diagnosticada com diabetes tipo 1 em 2023. Logo após iniciar o tratamento com insulina diário, passou a sentir tonturas, desequilíbrio e, em um episódio, caiu. O relato aponta para uma resposta atípica ao tratamento convencional.
Especialistas indicam que o tipo 5 surge a partir de longos períodos de subnutrição, particularmente na infância ou adolescência. Embora a Federação Internacional do Diabetes tenha reconhecido o tipo 5 no ano passado, a Organização Mundial da Saúde não o classifica como uma forma distinta da doença.
Existem quem defenda que o tipo 5 pode afetar até 25 milhões de pacientes, alertando para danos se confundido com outras formas de diabetes. Médica americana observa problemas de classificação que podem levar a tratamentos inadequados com insulina e a mortes por falhas no manejo.
Diferentemente do tipo 1, que é autoimune, e do tipo 2, ligado à resistência, o tipo 5 pode estar relacionado a uma falha no desenvolvimento do pâncreas pela desnutrição crônica. Mesmo assim, ainda não há um marcador diagnóstico universalmente aceito.
A ausência de critérios formais complica o diagnóstico. A Federação Internacional do Diabetes formou um grupo de trabalho para estabelecer padrões de diagnóstico e diretrizes de tratamento, enquanto o financiamento para pesquisas permanece reduzido em meio a cortes globais na saúde.
Noella Mukumbi tem reagido de modo positivo a ajustes terapêuticos: redução na dose de insulina, uso de metformina e melhoria na visão e no peso. Ela vive hoje em Uganda, onde descreve mudança significativa na qualidade de vida após as mudanças no tratamento.
Profissionais de saúde ressaltam que casos como o de Mukumbi exigem monitoramento cuidadoso, pois a resposta a insulina pode variar entre pacientes com perfil nutricional muito baixo. A discussão científica continua, com diferentes entidades defendendo ou questionando a existência de um novo tipo da doença.
Em meio ao debate, pesquisadores destacam a necessidade de dados robustos para esclarecer se o tipo 5 configura uma entidade clínica autônoma ou se corresponde a variações de tipo 1 ou tipo 2 associadas à subnutrição.
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