Duas novas espécies de minhocas foram descritas na Fazenda Canchim, em São Carlos, interior de São Paulo. A descoberta ocorreu no âmbito de um estudo conjunto entre pesquisadores da UFSC, da Embrapa Florestas e da UFPR, e foi publicada em abril de 2026 na revista Zootaxa.
As espécies foram batizadas de *Fimoscolex bernardii* e *Glossoscolex canchim*. Os nomes prestam homenagem a emblemáticos elementos da história da Fazenda Canchim, ligada à Embrapa Pecuária Sudeste, e à árvore Canchim, nativa da Mata Atlântica.
Os trabalhos começaram em 2018, quando equipes avaliaram a influência de sistemas integrados sobre as populações de minhocas na fazenda. Os exemplares coletados foram encaminhados à Coleção Fritz Müller de Oligoquetas, no Paraná, e ao Museu de Zoologia de São Paulo, para futuras pesquisas.
Descoberta e relevância
As minhocas são invertebrados do filo dos anelídeos, vivem no solo úmido e respiram pela pele. São hermafroditas, com fecundação cruzada para reproduzir. O estudo reforça a riqueza da fauna na faixa de transição entre Mata Atlântica e Cerrado.
Além do valor científico, as minhocas atuam como engenheiras do solo: aeram o substrato, facilitam a circulação de água e nutrientes e, ao se alimentarem de matéria orgânica, geram húmus de alto valor para fertilidade.
Contexto ecológico e potencial
A pesquisa confirma a importância das minhocas como bioindicadoras da qualidade ambiental e da saúde do solo. A fauna brasileira é particularmente rica, com estima-se mais de 1.400 espécies, ainda pouco estudadas, sobretudo no Cerrado.
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